Adega Cooperativa de Almeirim

As doenças nas vinhas

Tratamentos Fitossanitários

Os tratamentos fitossanitários devem garantir as videiras sãs até à queda natural das folhas. Estes consistem numa luta incessante contra os acidentes e os inimigos da vinha, cujos danos são por vezes tão importantes que afectam não só a produção, que pode ser alterada ou destruída, como também a perenidade da planta. Assim podemos falar de:

a) Acidentes e doenças não parasitárias

São acidentes de ordem climática, como geadas, queima, granizo, vento. As doenças fisiológicas são sobretudo provocadas por carências das plantas em minerais como o ferro e o cobre, e temos ainda a considerar o desavinho. Os tratamentos passam pela aplicação de sulfato de ferro e de cobre quer no solo, quer nas folhas das videiras.


b) Doenças causadas por vírus

As viroses são doenças infecciosas que por vezes passam despercebidas, pois nem sempre manifestam sintomas fáceis de identificar. Os vírus vivem nas células (daí que sejam parasitas) das plantas contaminadas, provocando perturbações que levam a uma alteração das aptidões da planta: diminuição da quantidade de produção e também da sua qualidade, enfraquecimento e envelhecimento prematuro das vinhas, entre outros. Os vírus mais conhecidos são os vírus do nó-curto e o do enrolamento. Uma vinha criada com plantas doentes ou num solo contaminado não pode ser tratada. Os meios de luta são preventivos, isto é, é preciso plantar garfos e porta-enxertos saudáveis num solo saudável. Após o arranque de uma vinha doente, os nemátodos, vectores (transmissores) do nó-curto, ainda vivem durante alguns anos nos restos de raízes deixados no terreno, podendo contaminar a nova vinha. Assim, deve deixar-se o solo em repouso pelo menos cinco anos depois do arranque, precedido de uma surriba e da eliminação o mais completa possível das raízes ou então, deve proceder-se à desinfecção do solo com a ajuda de nematicidas (produtos químicos que provocam a morte aos nemátodos).


c) Doenças criptogâmicas

Míldio: O míldio da vinha é uma doença originária da América, provocada pelo fungo Plasmopara viticola e observada pela primeira vez em França por Planchon, em 1878. O sintoma mais típico ocorre nas folhas, com o aparecimento da conhecida "mancha de óleo", na página superior. A seguir, surge na página inferior das folhas, uma pubescência branca, na zona correspondente a essas manchas. O ataque dos cachos traduz-se pela deformação dos mesmos, podendo até secar completamente, aparecendo então a típica pubescência branca. Para além das qualidades exigidas a qualquer substância de tratamento (eficácia, facilidade de manuseamento, baixo preço de custo), os produtos antimíldio devem ser persistentes, portanto, quimicamente estáveis. Os produtos que se utilizam desde há muito tempo são constituídos à base de cobre. A calda bordalesa é constituída por uma solução de sulfato de cobre neutralizada por cal apagada fresca. Depois da Segunda Guerra Mundial surgiram produtos orgânicos de síntese que permitem simplificar a preparação e a execução dos tratamentos. Dentro destes destacam-se os organos-cúpricos, que consistem em produtos orgânicos de síntese combinados com o cobre e que apresentam maior persistência de acção.

Oídio: O oídio da videira (também conhecido por poeira, cinzeiro ou mal branco) apareceu em França em 1845 e deve-se a um fungo, o Uncinula necator, que se desenvolve em todos os órgãos verdes. As folhas mais jovens aparecem com um aspecto esbranquiçado que pode também aparecer nos ramos. Nos bagos em desenvolvimento aparece a tal pubescência, a pele fendilha e acaba por estalar. O enxofre foi o primeiro produto utilizado na luta contra o oídio e, actualmente, continua a aplicar-se como o mais eficaz e o mais económico. Hoje em dia, dado o enxofre ser sobretudo um produto preventivo, existem vários produtos orgânicos que possuem um poder curativo.

Podridão cinzenta: A podridão cinzenta é uma doença criptogâmica provocada pelo fungo Botrytis cinerea. Este fungo é responsável pela podridão cinzenta que é a forma mais grave e que afecta os bagos de uva, durante o período húmido, entre o vingamento e a maturidade; mas também pela podridão nobre, que se manifesta em período de sobre-maturação, em determinadas condições climáticas e que é procurada para a elaboração de vinhos licorosos especiais. Os métodos de luta baseiam-se sobretudo em produtos químicos ou fungicidas que actuam como métodos curativos.


d) Doenças bacterianas

Necrose bacteriana: Ou doença de Oléron, da videira. Esta doença foi descrita em 1895 por Ravaz, baseando-se em observações feitas na ilha de Oléron, que deu o nome à doença. A doença desenvolve-se em núcleos e só se manifesta em determinadas circunstâncias relacionadas com o clima, o solo, a sensibilidade das castas e com as técnicas culturais. Prefere solos pobres, pouco férteis e ácidos. Os métodos de luta são principalmente preventivos, de modo a evitarem a criação de núcleos, e são constituídos à base de cobre.


e) Parasitas animais e Pragas Filoxera

Lagarta ou Traça dos Cachos: Tratam-se de lagartas ou larvas de duas pequenas borboletas: Cochylis (Clysia ambiguella) e Eudémis (Lobesia botrana), sendo esta última a mais representativa no nosso país. Na Primavera as lagartas perfuram e devoram os botões florais, que envolvem previamente com filamentos sedosos, formando uma espécie de "ninhos" nos cachos. Mais tarde atacam os jovens bagos que se dessecam e apodrecem. Quando os bagos estão já desenvolvidos e no início da maturação, o insecto perfura-os. Os ataques de traça são uma das causas mais frequentes da infecção e desenvolvimento da podridão cinzenta. Estas espécies têm normalmente 3 gerações por ano e preferem temperaturas entre 20ºC e 25ºC e alguma humidade.

Cicadela ou Cigarrinha Verde: Pequeno insecto sugador, Empoasca flavescens, pertencente à família dos cicadelídeos. Pica as nervuras das folhas até aos vasos condutores, nos quais se alimenta. A saliva tóxica do insecto provoca a obstrução dos canais e, consequentemente, a interrupção da circulação da seiva. Nas castas brancas as folhas ficam com manchas amareladas enquanto que nas tintas, estas tomam a coloração vinosa. As folhas atacadas secam e caiem, conduzindo a quebras quer na produção quer no grau alcoólico. Sobretudo importante no Alentejo e, mais recentemente, no Douro, Oeste e Ribatejo, esta espécie pode ter 3 gerações num ano.

Cochonilhas: São pequenos insectos picadores-sugadores, que podem atacar vários órgãos da planta, originando, por vezes, estragos importantes. A espécie mais representativa é o Planococcus sp., conhecida por cochonilha-algodão, por se envolver por um enfeltrado algodonoso. As larvas das cochonilhas absorvem a seiva da planta e os órgãos atacados podem acabar por secar. A cepa enfraquece e a frutificação fica afectada. Podem ter diversas gerações por ano, dependendo das condições ambientais.

Despampa ou Esladroamento

Consiste na supressão de ramos ladrões, não produtivos e ainda rebentações duplas e triplas (varas de finas, tenras e verdes). O objectivo é o de evitar que a videira tenha um coberto vegetal demasiado denso, ou seja, um exagerado número de folhas. Pois caso a videira possua uma incomportável quantidade de folhas, a distribuição do alimento vai ser mais ampla, o que apresenta consequências negativas quer a nível de iniciação floral (nasce um menor número de flores), fertilidade (diminui), quer a nível da qualidade da colheita.

Desparra ou Desfolha

É uma prática que é susceptível de modificar a qualidade da vindima. A desfolha é correctamente utilizada nas vinhas que se vocacionam para a produção de vinhos brancos licorosos. Consiste em suprimir as folhas ao nível dos cachos durante o período de maturação. Esta prática reduz a área foliar e modifica a idade média da vegetação.

A manipulação do coberto através da desfolha tem sido utilizada para melhorar a qualidade dos frutos, evitar o desenvolvimento das doenças, facilitar a vindima e a aplicação de produtos fitossanitários. Assim, a desfolha de um número variável de folhas da base dos sarmentos tem como fim melhorar a qualidade, sendo realizada quase sempre durante a maturação dos cachos. Mas uma desfolha muito intensa ou muito precoce parece ser muito prejudicial à qualidade por reduzir a produção de açúcares do cacho ou por uma muito forte exposição dos bagos em Julho e Agosto, que poderá "queimá-los".